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Autor: Rainero Maroja

  • O fim da medicina

    Artigo de um médico indignado, mas ainda em pé.

    Sou médico. E escrevo hoje não movido por vaidade, corporativismo ou nostalgia barata, mas por indignação ética.

    Poucos sabem ou poucos ainda se importam por que os médicos tradicionalmente se vestem de branco. Não é moda. Não é vaidade. O branco sempre representou limpeza moral, transparência, honra e respeito. Um compromisso visível de que aquele que o veste não deve carregar manchas nem nas mãos, nem na consciência.

    Houve um tempo em que a presença de um médico em uma residência era quase cerimonial. Não por soberba do profissional, mas pelo valor social atribuído ao saber médico. O médico era recebido com respeito porque trazia consigo algo raro: conhecimento a serviço da vida, prudência diante do sofrimento humano e responsabilidade sobre decisões irreversíveis.

    Lavava-se as mãos não apenas por higiene, mas como rito simbólico: separar o mundo profano do espaço do cuidado. A pequena toalha branca oferecida não era luxo era reconhecimento da dignidade daquele ofício.

    Esse tempo não acabou por falhas da Medicina.Acabou porque retiraram do médico o direito de exercer a Medicina.

    Vivemos hoje uma inversão perversa: o saber técnico passou a ser subordinado ao poder político-jurídico. A ciência passou a pedir licença. A ética passou a ser relativizada por decisões que ignoram décadas de formação, protocolos, evidências e responsabilidade profissional.

    O Conselho Federal de Medicina, instituição criada para zelar pela boa prática médica e pela segurança do paciente, foi tratado não como guardião da ética, mas como um entrave a ser neutralizado. Seu papel foi esvaziado. Sua autoridade, desconsiderada. Sua função, ridicularizada.

    O recado simbólico foi claro quase ofensivo:

    “Vocês são pequenos. Calem-se.”

    Quando o Supremo Tribunal Federal se coloca acima da ciência médica para decidir o que é ou não ato médico, não estamos mais falando de Justiça. Estamos falando de usurpação de competência.

    Juízes não diagnosticam.Tribunais não tratam pacientes.Canetas não substituem anos de estudo, residência, especialização e responsabilidade civil e moral.

    A pergunta que fica é amarga, mas inevitável:para que médicos, se tudo pode ser decidido por despacho?Para que conselhos profissionais, se o saber técnico não tem mais valor?Para que ética médica, se a ciência passou a ser opcional?

    A Medicina está sendo reduzida a um mero instrumento burocrático. O médico, transformado em executor mudo de decisões alheias. E o paciente, este sim, torna-se a maior vítima exposto a riscos travestidos de progresso e a arbitrariedades disfarçadas de humanismo.

    Não se trata de direita ou esquerda.Não se trata de conservadorismo ou progressismo.Trata-se de limite.

    Quando a Medicina perde sua autonomia técnica, toda a sociedade adoece.

    Se for assim, fechem-se os conselhos.Tranque-se as faculdades.Entreguem-se as chaves.E que o último a sair por ironia final apague a luz.

    Porque onde a ciência é silenciada,não há cura.Há apenas poder.

    Erre Eme

  • 🖥️ MS-DOS (Microsoft Disk Operating System)

    O MS-DOS foi um sistema operacional — ou seja, o programa que faz o computador funcionar e se comunicar com o usuário. Ele precede o Windows e funcionava por meio de comandos digitados em uma tela preta (sem interface gráfica).

    Principais funções do MS-DOS:

    Controlar o hardware do computador (disco rígido, teclado, impressora etc.);

    Gerenciar arquivos e pastas (copiar, apagar, renomear, mover);

    Executar programas (.EXE, .COM);

    Servir de base para softwares e sistemas empresariais dos anos 1980 e início dos 1990.

    👉 Era amplamente usado antes do Windows 95, quando os PCs ainda dependiam totalmente de comandos manuais, como:

    C:>dir
    C:>copy arquivo.txt a:\

    💾 Clipper

    O Clipper era uma linguagem de programação criada nos anos 1980 para desenvolver sistemas comerciais, principalmente de gestão empresarial (como controle de estoque, vendas, finanças, etc.).

    Ele funcionava dentro do MS-DOS e era derivado da linguagem dBASE, mas muito mais rápido e robusto.
    Empresas, consultórios e órgãos públicos usaram sistemas em Clipper por décadas.

    Principais características do Clipper:

    Linguagem compilada (gerava executáveis rápidos);

    Usava banco de dados do tipo DBF;

    Ideal para criar sistemas de cadastro, relatórios, controle de clientes, etc.;

    Muito usado por programadores brasileiros nos anos 80 e 90.

    Um exemplo simples de código em Clipper:

    USE clientes
    LIST nome, endereco, telefone

    ⚙️ Resumindo:

    Programa Tipo Função principal

    MS-DOS Sistema operacional Executar e controlar o computador por meio de comandos Clipper Linguagem de programação Criar sistemas de gestão e aplicativos comerciais que rodavam no MS-DOS

    Então imagine-se lá pelos idos de 1989…

    Você liga aquele PC XT barulhento, com o monitor de fósforo verde e o disquete rodando. A tela pisca e aparece:

    Starting MS-DOS…

    C:\>

    🧑‍💻 Você, programador experiente, digita o comando para abrir seu sistema comercial feito em Clipper:

    C:\>VENDAS.EXE

    A tela do programa surge assim:

    ========================================

    SISTEMA DE VENDAS – VERSÃO 2.0

    ========================================

    1 – CADASTRAR CLIENTE

    2 – CADASTRAR PRODUTO

    3 – REALIZAR VENDA

    4 – RELATÓRIOS

    5 – SAIR

    —————————————-

    Escolha uma opção: _

    Se o usuário digitasse 1, o sistema abria outro menu:

    —————————————-

    CADASTRO DE CLIENTES

    —————————————-

    NOME: JOÃO CARLOS PASTHUZSCAS DE PAZ

    ENDEREÇO: RUA DAS FLORES, 123

    TELEFONE: (91) 234-5678SALVAR REGISTRO (S/N)? _

    E nos bastidores, o Clipper rodava comandos como:

    USE CLIENTES APPEND BLANK REPLACE NOME WITH “JOÃO CARLOS P. DE PAZ” REPLACE ENDERECO WITH “RUA DAS FLORES, 123″REPLACE TELEFONE WITH “(91) 234-5678” COMMIT

    Quando o trabalho terminava, você saía com:

    C:\>exit

    💾 Resumo do clima da época:Tudo era texto puro (sem mouse nem janelas); O som do disco rígido era constante; E cada linha de código era digitada com orgulho e paciência.

    Erre Eme