Patético é pouco. Muito pouco.
Patético é o conservador de porcelana, aquele que passa anos berrando “Brasil acima de tudo”, tirando foto de camisa da seleção, fazendo pose de patriota indignado, mas que basta aparecer uma manchete malcheirosa envolvendo algum aliado do bolsonarismo e pronto… entra em combustão moral espontânea.
“Aiiii meu Deus… Flávio pediu dinheiro ao banqueiro…”
“Que decepção…”
“Perdi a fé…”
Perdeu foi a coragem, isso sim.
E vou logo avisando: hoje o velho serrote enferrujado saiu da oficina sem lubrificação. Portanto, se alguma fagulha verbal atingir almas sensíveis, paciência. Crianças não leem minhas crônicas, e adulto que sobrevive no Brasil atual já deveria estar vacinado contra palavrinhas.
Então vamos lá:
Ora porra… vão todos à merda.
Porque certas indignações chegam a ser ofensivas à inteligência humana. O sujeito vive num país onde bilhões evaporam como fumaça de charuto cubano, onde ladrões históricos viram estadistas de televisão, onde corruptos são tratados como celebridades democráticas… mas resolve ter crise existencial justamente porque um senador conversou, negociou ou pediu apoio a banqueiro.
Façam-me o favor.
Política não é convento carmelita.
Política não é grupo de oração.
Política não é retiro espiritual de monges tibetanos.
Política é guerra.
E guerra se vence com alianças, estratégia, dinheiro, influência e capacidade de sobrevivência. Quem acha que campanha eleitoral se faz vendendo bombom na esquina ou tocando violão em praça pública merece ganhar um certificado oficial de inocente útil da República.
O mais engraçado é observar os “conservadores gourmet”. Esses são maravilhosos. São os puritanos do Instagram patriótico. Tomam cappuccino importado enquanto fazem análise moral do mundo em voz mansa e sobrancelha arqueada.
“Não compactuo com isso…”
“Fiquei profundamente incomodado…”
Ah vá plantar batata.
Incomodado eu fico é com aposentado contando moeda pra comprar remédio enquanto a elite política brasileira desfila em jatinhos, lagostas e vinhos franceses pagos indiretamente pelo suor do povo.
Mas aí o cidadão passa décadas engolindo mensalão, petrolão, corrupção sistêmica, empreiteira, ditadura amiga, censura elegante, bilhões desaparecidos… e não rompe com ninguém.
Contudo, basta um ruído envolvendo alguém ligado a Jair Bolsonaro que imediatamente surgem os novos santos do apocalipse conservador.
Vestais da moral seletiva.
Lobos em pele de cordeiro.
Urubus emocionais vestidos de verde e amarelo.
E vou dizer algo que muita gente pensa mas tem medo de escrever:
Na política brasileira recente, nunca vi perseguição tão obsessiva contra um homem quanto contra Bolsonaro. Nunca. O sistema inteiro foi mobilizado. Imprensa, artistas, universidades, burocratas engravatados, militâncias profissionais, organismos internacionais, influencers de apartamento e até humoristas sem graça.
Mesmo assim o homem continua arrastando multidões.
E isso enlouquece muita gente poderosa.
Então não me venham com escândalo performático de última hora. Não me venham vender pureza republicana em país onde a lama virou patrimônio histórico nacional.
Meu candidato continua sendo Bolsonaro.
E se ele indicar um poste, votarei no poste.
Se indicar uma cadeira, voto na cadeira.
Porque o que está em jogo já ultrapassou há muito tempo nomes individuais.
É projeto.
É resistência.
É reação.
E principalmente: é recusar ajoelhar diante dos donos temporários do poder que imaginam ter transformado o Brasil em fazenda particular.
Portanto, menos histeria e mais coragem.
Porque conservador que abandona trincheira no primeiro estampido não era conservador.
Era apenas turista ideológico segurando bandeirinha de plástico.
Erre Eme

