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A Educação

Há algo que sempre me pareceu estranho na educação ocidental moderna. Logo nos primeiros anos de aprendizado, quando a mente da criança ainda está sendo moldada, as escolas parecem muito mais preocupadas em ensinar a brincar do que em ensinar respeito, ordem, disciplina e prioridades.

Não me entendam mal. Brincar é importante. A infância precisa da imaginação, da criatividade e da alegria. Mas existe uma diferença entre brincar e transformar a brincadeira no centro de todo o processo educacional.

Antigamente, antes mesmo de aprender matemática ou gramática, a criança aprendia a respeitar os mais velhos, a ouvir, a esperar sua vez de falar, a compreender que existem hierarquias e responsabilidades. Hoje vemos alunos chamando professoras de “tias”, mas muitas vezes incapazes de demonstrar o mais elementar gesto de respeito. Não se levantam quando a professora entra na sala, não compreendem o valor da autoridade legítima e crescem acreditando que toda disciplina é uma forma de opressão.

Na minha visão, a educação deveria seguir uma ordem simples.

Primeiro, ensinar respeito.

Depois, ensinar disciplina.

Em seguida, ensinar prioridades.

Somente então ensinar a ler.

Mas não apenas juntar letras. Ler e compreender. Ler e interpretar. Ler e pensar.

Quando um cidadão domina verdadeiramente a leitura e a interpretação daquilo que lê, ele possui a chave para abrir praticamente todas as portas do conhecimento humano.

A partir daí, o papel do Estado deveria mudar. Em vez de tentar conduzir cada pensamento, deveria criar imensas bibliotecas, centros de informação, laboratórios, museus e ambientes de acesso livre ao conhecimento. O cidadão, já preparado intelectualmente, poderia então escolher o caminho que deseja seguir: medicina, engenharia, geologia, letras, artes, filosofia ou qualquer outra área do saber.

O problema é que hoje encontramos algo preocupante. Universitários avançados demonstram desconhecimentos elementares em suas próprias áreas. Estudantes de medicina que não dominam conceitos básicos da fisiopatologia. Estudantes de letras que confundem gêneros literários simples. Profissionais diplomados que sabem repetir opiniões, mas encontram dificuldades para interpretar textos mais complexos.

Talvez isso aconteça porque passamos a valorizar excessivamente a informação e insuficientemente a formação.

Informação é abundante.

Formação é rara.

Outra questão que me inquieta é a obsessão contemporânea em proteger o homem comum, enquanto esquecemos completamente o homem extraordinário.

Fala-se diariamente em cotas para isto, incentivos para aquilo, programas para corrigir desigualdades, mas raramente alguém pergunta: quem está cuidando dos indivíduos excepcionalmente talentosos?

Quem está identificando o jovem gênio da matemática?

Quem está descobrindo o futuro cientista?

Quem está incentivando o próximo grande escritor, físico, médico ou inventor?

Uma sociedade não avança apenas elevando sua base. Ela também avança permitindo que seus indivíduos mais brilhantes alcancem seu potencial máximo.

Por isso não deixa de causar espanto que uma nação com mais de duzentos milhões de habitantes tenha produzido tão poucos nomes reconhecidos mundialmente nas grandes premiações científicas e culturais.

Não se trata de vaidade nacional.

Trata-se de perguntar se estamos aproveitando adequadamente o capital humano que possuímos.

Talvez a resposta seja desconfortável.

Talvez estejamos formando pessoas para decorar conteúdos, mas não para pensar.

Talvez estejamos ensinando opiniões antes de ensinar raciocínio.

Talvez estejamos produzindo diplomas em quantidade e conhecimento em escassez.

A história mostra que nenhuma civilização permanece grande por muito tempo quando abandona o mérito, a excelência e a busca obstinada pelo conhecimento.

E é justamente por isso que a pergunta precisa ser feita.

Está tudo certo?

Ou precisamos mudar urgentemente antes que descubramos, tarde demais, que trocamos bibliotecas por slogans, pensamento por repetição e conhecimento por aparência?

Porque quando uma sociedade deixa de valorizar a inteligência, a disciplina e o mérito, ela não caminha para o futuro.

Ela caminha, lentamente, de volta para as cavernas.

Erre Eme

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