Hoje escrevo não apenas uma homenagem para minha querida Ignez, mas para todas as mães do mundo, por um motivo muito simples: toda mãe, ao seu modo e dentro das suas possibilidades, ultrapassa em muito os limites das próprias forças.
O trabalho de mãe exige especialização em tudo.
Na medicina, é pediatra de mãos cheias.
Na arrumação da casa, uma admirável arquiteta.
No orçamento familiar, economista de primeira linha.
Na cozinha, uma verdadeira mestra das delícias culinárias.
Na dor dos filhos, psicóloga.
Na tristeza da família, abrigo.
No medo, coragem.
Na queda, colo.
Jamais poderemos esquecer nossa origem.
Mãe é mãe.
Não importa se nasceu na China, em Cuba, no Chile ou no Brasil.
Todas carregam dentro de si o milagre silencioso da renúncia, da proteção e do amor absoluto.
A única tristeza é perceber que mães têm prazo de validade.
Que pena…
Mãe devia ser eterna.
Feliz Dia das Mães!
Erre Eme
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Feliz Dia das Mães
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Parabéns mãezinha
Há algo de profundamente injusto no fato de que justamente quem nos deu a vida… não pode permanecer nela para sempre. A mãe é o primeiro território que habitamos, o primeiro alimento, o primeiro som que reconhecemos, o primeiro abrigo. Antes de qualquer memória, já havia mãe. Antes de qualquer palavra, já havia cuidado.
E então… um dia… não há mais.
A razão pode explicar ciclo da vida, finitude, natureza mas o coração rejeita tudo isso com uma espécie de revolta silenciosa. Porque não se trata de qualquer perda. Perde-se o início de tudo. Perde-se a única pessoa que nos conheceu antes de sermos alguém.
Talvez a dor seja tão grande porque a dívida é eterna. Não há como pagar o colo que nos sustentou sem exigir nada. Não há como retribuir noites mal dormidas, medos dissipados com um abraço, ou aquele amor que não dependia de mérito apenas de existência.
E o filho, mesmo já vivido, mesmo já forte, mesmo já com cabelos brancos… diante da ausência da mãe… volta a ser menino.
Um menino que ainda espera ser chamado para dentro de casa.
Mas há algo que a morte não consegue alcançar.
A mãe não permanece no mundo físico… mas permanece na estrutura invisível do filho.
Está no modo de falar.
No gesto de cuidar.
Na forma de olhar o mundo com mais humanidade.
Na consciência que sussurra “faça o certo”…
Na memória que aquece… e ao mesmo tempo dilacera.E talvez seja esse o ponto mais duro e mais belo ao mesmo tempo:
Ela não foi embora completamente.
Ela se espalhou em você.Por que mães morrem?
Talvez… porque o amor delas precisa mudar de forma.
Enquanto estão aqui, nos protegem com as mãos.
Quando partem… nos protegem com o que deixaram dentro de nós.Mas isso não diminui a saudade.
A saudade de mãe não é ausência comum — é presença que dói.
Hoje, ela faria 100 anos… não é só o tempo que se conta.
Conta-se a grandeza de uma vida que fez outra existir.
Teu filho!
Erre Eme
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O Travessão (ou uma conversa com minha filha)
— Pai, por que o senhor usa tanto travessão?
A pergunta veio simples. Sem crítica. Sem ironia. Apenas curiosidade.
Mas confesso — doeu um pouco.
Não porque estivesse errada. Mas porque, às vezes, quando questionam nossa escrita, parece que questionam nossa maneira de pensar.
Pensei em responder tecnicamente. Dizer que o travessão é recurso estilístico, que cria ênfase, que substitui vírgulas, que destaca termos explicativos.
Mas a verdade é outra.
Eu uso travessão porque gosto de marcar o que considero essencial.
Quando escrevo
“Meu pai — um grande médico — salvava vidas”,
não estou apenas explicando quem ele era. Estou segurando o leitor pelo braço e dizendo: “preste atenção nisso”.
O travessão é a minha maneira de iluminar o que não pode passar despercebido.
Talvez eu o use porque a vida me ensinou que o essencial quase sempre fica escondido no meio da frase — e eu nunca gostei de deixar o essencial escondido.
Ele cria pausa.
Cria tensão.
Cria respeito.
Não é excesso.
É intenção.
Minha filha talvez veja pontuação.
Eu vejo respiração.
Vejo aquele pequeno silêncio antes da verdade.
E, pensando bem, talvez o travessão diga algo sobre mim. Nunca fui homem de meias-palavras. Quando algo importa, eu separo. Destaco. Enfatizo.
Não por soberba — mas por convicção.
Se um dia eu parar de usar travessão, talvez seja porque aprendi a deixar certas coisas passarem despercebidas.
Mas, por enquanto, não.
Enquanto eu escrever — haverá pausas marcadas.
Haverá ênfases assumidas.
Haverá verdades destacadas.
E haverá, inevitavelmente — travessões.Erre Eme
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Meu pai.
Às vezes eu paro e penso: Não é possível que meu pai fosse tão inteligente assim. E então eu volto a ler as letras dele. Devagar. Sem o mito. Sem o pedestal. Sem o filtro da “lenda”. E percebo: ele não era só inteligente no sentido intelectual.
Ele tinha um tipo raro de inteligência aquela que enxerga as pessoas, os sistemas, as ilusões, as armadilhas e a verdade ao mesmo tempo.
A que consegue pegar coisas enormes e complexas e dizer em palavras simples. Isso é o verdadeiro gênio. A maioria das pessoas inteligentes soa complicada. Ele soava simples.
E isso é muito mais difícil. Muita coisa do que ele escreveu nem parece que veio do “pensar”.
Parece que veio do ver. Ver a natureza humana. Ver os jogos. Ver as máscaras. Ver a liberdade. Ver a prisão. E esconder tudo isso dentro de músicas que parecem fáceis.
Às vezes é tão preciso, tão limpo, tão certeiro, que dá vontade de dizer: “Isso não veio de um homem. Isso passou por um homem.”
Isso não faz dele menos humano. Faz dele um tipo muito raro de ser humano. E quanto mais eu mergulho nisso, mais eu percebo: A gente ainda está alcançando coisas que ele já estava dizendo lá atrás.
Erre Eme

