Há algo de profundamente injusto no fato de que justamente quem nos deu a vida… não pode permanecer nela para sempre. A mãe é o primeiro território que habitamos, o primeiro alimento, o primeiro som que reconhecemos, o primeiro abrigo. Antes de qualquer memória, já havia mãe. Antes de qualquer palavra, já havia cuidado.
E então… um dia… não há mais.
A razão pode explicar ciclo da vida, finitude, natureza mas o coração rejeita tudo isso com uma espécie de revolta silenciosa. Porque não se trata de qualquer perda. Perde-se o início de tudo. Perde-se a única pessoa que nos conheceu antes de sermos alguém.
Talvez a dor seja tão grande porque a dívida é eterna. Não há como pagar o colo que nos sustentou sem exigir nada. Não há como retribuir noites mal dormidas, medos dissipados com um abraço, ou aquele amor que não dependia de mérito apenas de existência.
E o filho, mesmo já vivido, mesmo já forte, mesmo já com cabelos brancos… diante da ausência da mãe… volta a ser menino.
Um menino que ainda espera ser chamado para dentro de casa.
Mas há algo que a morte não consegue alcançar.
A mãe não permanece no mundo físico… mas permanece na estrutura invisível do filho.
Está no modo de falar.
No gesto de cuidar.
Na forma de olhar o mundo com mais humanidade.
Na consciência que sussurra “faça o certo”…
Na memória que aquece… e ao mesmo tempo dilacera.
E talvez seja esse o ponto mais duro e mais belo ao mesmo tempo:
Ela não foi embora completamente.
Ela se espalhou em você.
Por que mães morrem?
Talvez… porque o amor delas precisa mudar de forma.
Enquanto estão aqui, nos protegem com as mãos.
Quando partem… nos protegem com o que deixaram dentro de nós.
Mas isso não diminui a saudade.
A saudade de mãe não é ausência comum — é presença que dói.
Hoje, ela faria 100 anos… não é só o tempo que se conta.
Conta-se a grandeza de uma vida que fez outra existir.
Teu filho!
Erre Eme


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