Compre O Livro
RM


Tag: Memória

  • Parabéns mãezinha

    Há algo de profundamente injusto no fato de que justamente quem nos deu a vida… não pode permanecer nela para sempre. A mãe é o primeiro território que habitamos, o primeiro alimento, o primeiro som que reconhecemos, o primeiro abrigo. Antes de qualquer memória, já havia mãe. Antes de qualquer palavra, já havia cuidado.

    E então… um dia… não há mais.

    A razão pode explicar ciclo da vida, finitude, natureza mas o coração rejeita tudo isso com uma espécie de revolta silenciosa. Porque não se trata de qualquer perda. Perde-se o início de tudo. Perde-se a única pessoa que nos conheceu antes de sermos alguém.

    Talvez a dor seja tão grande porque a dívida é eterna. Não há como pagar o colo que nos sustentou sem exigir nada. Não há como retribuir noites mal dormidas, medos dissipados com um abraço, ou aquele amor que não dependia de mérito apenas de existência.

    E o filho, mesmo já vivido, mesmo já forte, mesmo já com cabelos brancos… diante da ausência da mãe… volta a ser menino.

    Um menino que ainda espera ser chamado para dentro de casa.

    Mas há algo que a morte não consegue alcançar.

    A mãe não permanece no mundo físico… mas permanece na estrutura invisível do filho.

    Está no modo de falar.
    No gesto de cuidar.
    Na forma de olhar o mundo com mais humanidade.
    Na consciência que sussurra “faça o certo”…
    Na memória que aquece… e ao mesmo tempo dilacera.

    E talvez seja esse o ponto mais duro e mais belo ao mesmo tempo:

    Ela não foi embora completamente.
    Ela se espalhou em você.

    Por que mães morrem?

    Talvez… porque o amor delas precisa mudar de forma.

    Enquanto estão aqui, nos protegem com as mãos.
    Quando partem… nos protegem com o que deixaram dentro de nós.

    Mas isso não diminui a saudade.

    A saudade de mãe não é ausência comum — é presença que dói.

    Hoje, ela faria 100 anos… não é só o tempo que se conta.

    Conta-se a grandeza de uma vida que fez outra existir.

    Teu filho!

    Erre Eme

  • Meu pai.

    Às vezes eu paro e penso: Não é possível que meu pai fosse tão inteligente assim. E então eu volto a ler as letras dele. Devagar. Sem o mito. Sem o pedestal. Sem o filtro da “lenda”. E percebo: ele não era só inteligente no sentido intelectual.

    Ele tinha um tipo raro de inteligência aquela que enxerga as pessoas, os sistemas, as ilusões, as armadilhas e a verdade ao mesmo tempo.

    A que consegue pegar coisas enormes e complexas e dizer em palavras simples. Isso é o verdadeiro gênio. A maioria das pessoas inteligentes soa complicada. Ele soava simples.

    E isso é muito mais difícil. Muita coisa do que ele escreveu nem parece que veio do “pensar”.

    Parece que veio do ver. Ver a natureza humana. Ver os jogos. Ver as máscaras. Ver a liberdade. Ver a prisão. E esconder tudo isso dentro de músicas que parecem fáceis.

    Às vezes é tão preciso, tão limpo, tão certeiro, que dá vontade de dizer: “Isso não veio de um homem. Isso passou por um homem.”

    Isso não faz dele menos humano. Faz dele um tipo muito raro de ser humano. E quanto mais eu mergulho nisso, mais eu percebo: A gente ainda está alcançando coisas que ele já estava dizendo lá atrás.

    Erre Eme

  • O Heptacampeonato

    Ontem foi uma noite de festa, emoção e reconhecimento na sede da agremiação azulina. O clube abriu suas portas para reverenciar um feito heroico daqueles que o tempo não apaga e que, muito provavelmente, jamais se repetirá: os 70 anos do Heptacampeonato do basquetebol paraense.

    Foi uma noite de glória e de fortes emoções, em que tivemos o privilégio de abraçar verdadeiros baluartes do esporte paraense e dirigentes do mais alto nível, como o querido Ronaldo Passarinho, grande amigo e mestre.

    O evento foi magistralmente conduzido pelo extraordinário Edson Matoso, que demonstrou, mais uma vez, seu vasto e profundo conhecimento da história do esporte paraense, narrando fatos e personagens com precisão, respeito e paixão.

    Não poderia deixar de destacar o grande Haroldo Maués(Manolinho), que, juntamente com Sérgio Cabeça, conduziu tudo com imenso carinho e dedicação, sendo ambos responsáveis diretos por essa noite simplesmente memorável.

    Sinto-me particularmente honrado por um motivo muito especial: meu próprio pai, Rainero Maroja, presidia o clube em 1965, quando a agremiação conquistou o magistral Heptacampeonato. Um feito hercúleo, que ultrapassa gerações e permanece como símbolo máximo de excelência, união e amor ao esporte.

    Estão, portanto, de parabéns todos os atletas, dirigentes e colaboradores que tornaram possível esse feito inigualável um capítulo eterno da história do esporte paraense.

    Erre Eme

  • 🖥️ MS-DOS (Microsoft Disk Operating System)

    O MS-DOS foi um sistema operacional — ou seja, o programa que faz o computador funcionar e se comunicar com o usuário. Ele precede o Windows e funcionava por meio de comandos digitados em uma tela preta (sem interface gráfica).

    Principais funções do MS-DOS:

    Controlar o hardware do computador (disco rígido, teclado, impressora etc.);

    Gerenciar arquivos e pastas (copiar, apagar, renomear, mover);

    Executar programas (.EXE, .COM);

    Servir de base para softwares e sistemas empresariais dos anos 1980 e início dos 1990.

    👉 Era amplamente usado antes do Windows 95, quando os PCs ainda dependiam totalmente de comandos manuais, como:

    C:>dir
    C:>copy arquivo.txt a:\

    💾 Clipper

    O Clipper era uma linguagem de programação criada nos anos 1980 para desenvolver sistemas comerciais, principalmente de gestão empresarial (como controle de estoque, vendas, finanças, etc.).

    Ele funcionava dentro do MS-DOS e era derivado da linguagem dBASE, mas muito mais rápido e robusto.
    Empresas, consultórios e órgãos públicos usaram sistemas em Clipper por décadas.

    Principais características do Clipper:

    Linguagem compilada (gerava executáveis rápidos);

    Usava banco de dados do tipo DBF;

    Ideal para criar sistemas de cadastro, relatórios, controle de clientes, etc.;

    Muito usado por programadores brasileiros nos anos 80 e 90.

    Um exemplo simples de código em Clipper:

    USE clientes
    LIST nome, endereco, telefone

    ⚙️ Resumindo:

    Programa Tipo Função principal

    MS-DOS Sistema operacional Executar e controlar o computador por meio de comandos Clipper Linguagem de programação Criar sistemas de gestão e aplicativos comerciais que rodavam no MS-DOS

    Então imagine-se lá pelos idos de 1989…

    Você liga aquele PC XT barulhento, com o monitor de fósforo verde e o disquete rodando. A tela pisca e aparece:

    Starting MS-DOS…

    C:\>

    🧑‍💻 Você, programador experiente, digita o comando para abrir seu sistema comercial feito em Clipper:

    C:\>VENDAS.EXE

    A tela do programa surge assim:

    ========================================

    SISTEMA DE VENDAS – VERSÃO 2.0

    ========================================

    1 – CADASTRAR CLIENTE

    2 – CADASTRAR PRODUTO

    3 – REALIZAR VENDA

    4 – RELATÓRIOS

    5 – SAIR

    —————————————-

    Escolha uma opção: _

    Se o usuário digitasse 1, o sistema abria outro menu:

    —————————————-

    CADASTRO DE CLIENTES

    —————————————-

    NOME: JOÃO CARLOS PASTHUZSCAS DE PAZ

    ENDEREÇO: RUA DAS FLORES, 123

    TELEFONE: (91) 234-5678SALVAR REGISTRO (S/N)? _

    E nos bastidores, o Clipper rodava comandos como:

    USE CLIENTES APPEND BLANK REPLACE NOME WITH “JOÃO CARLOS P. DE PAZ” REPLACE ENDERECO WITH “RUA DAS FLORES, 123″REPLACE TELEFONE WITH “(91) 234-5678” COMMIT

    Quando o trabalho terminava, você saía com:

    C:\>exit

    💾 Resumo do clima da época:Tudo era texto puro (sem mouse nem janelas); O som do disco rígido era constante; E cada linha de código era digitada com orgulho e paciência.

    Erre Eme