Vivemos tempos curiosos. A palavra “ilação” virou escudo. Não um conceito lógico, mas um refúgio confortável para quando os fatos começam a incomodar.
Diz-se: “Isso é ilação.”
E pronto, como se ao nomear, dissolvesse-se a realidade.
Mas não.
O encadeamento que incomoda
Vejamos sem paixão apenas com lógica, essa velha senhora que não se curva a conveniências:
Se há registros de relações contratuais vultosas, se há deslocamentos compartilhados em aeronaves privadas,
se há comunicações diretas sobre temas sensíveis,
se há decisões institucionais que beneficiam uma das partes,
e se, além disso, há convivência social documentada…
Então não estamos diante de um ponto isolado.
Estamos diante de um conjunto.
E conjuntos, quando coerentes, deixam de ser coincidência para se tornarem evidência circunstancial.
O problema não é o fato, é a negação absoluta.
Ninguém é obrigado a gostar de ninguém.
Ninguém é proibido de conhecer ninguém.
Mas afirmar desconhecimento absoluto diante de múltiplos indícios não é mais defesa é ruptura com a plausibilidade.
E aqui mora o incômodo.
Porque o cidadão comum, aquele que paga a conta, não precisa ser jurista, nem filósofo, nem especialista em lógica formal para perceber quando:
A narrativa não encaixa nos fatos.
A distorção perigosa
Transformar questionamento lógico em “ilação” é uma manobra antiga:
Desqualifica quem pergunta;
esvazia o debate;
cria uma blindagem retórica.
Mas há algo que essa estratégia não consegue fazer:
Apagar o encadeamento lógico dos acontecimentos.
Se os fatos existem, se os registros existem, se os encontros existem,
então a dúvida não é fantasia é consequência.
E quando a dúvida nasce da lógica, ela deixa de ser ilação.
Passa a ser cobrança.
Chamar de ilação o que é fruto de evidência encadeada não é defesa é tentativa de simplificação de uma realidade complexa.
E a realidade, meu amigo…
não se simplifica com palavras.
Ela exige explicação.
Erre Eme


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