Eu tenho uma dúvida cruel. Será que ainda existe alguém neste país que acredita em tudo que escuta na imprensa militante? Porque haja paciência.
De uns tempos para cá resolveram vender a ideia de que um senador brasileiro seria o responsável por uma suposta taxação de produtos brasileiros pelos Estados Unidos. Sinceramente? Isso é conversa para boi dormir.
Quer dizer então que a maior potência econômica do planeta acorda de manhã, toma café, reúne seus ministros, seus assessores, seus especialistas em comércio internacional e decide sua política econômica baseada na opinião de um senador brasileiro? É sério isso?
Se for verdade, então o sujeito é mais poderoso que o próprio presidente da República.
Enquanto isso, ninguém quer discutir o principal.
Por que chegamos a essa situação?
O que foi feito na diplomacia brasileira?
Que tipo de relacionamento foi construído com os parceiros comerciais?
Quais declarações desastrosas foram feitas ao longo dos últimos anos?
Não. Isso dá trabalho. É muito mais fácil escolher um culpado e jogar a plateia contra ele.
E aí entra em cena nosso governo, sempre pronto para encontrar um inimigo da semana.
O mais curioso é ver certas figuras apontando dedos para todos os lados, como se não tivessem absolutamente nenhuma responsabilidade sobre o que acontece no país. Alguns falam tanto que começo a desconfiar que esqueceram não apenas o que disseram ontem, mas também o que fizeram anteontem.
Aliás, memória parece estar virando artigo de luxo em Brasília.
O que não falta é discurso.
Se discurso resolvesse alguma coisa, o Brasil seria a Suíça, a Noruega e Singapura ao mesmo tempo.
Mas a realidade é cruel. O povo continua pagando impostos absurdos, continua vendo seu poder de compra evaporar e continua sendo tratado como se fosse incapaz de raciocinar.
E o mais impressionante é que existe gente que ganha fortunas para contar essas histórias. Narrativas cuidadosamente embaladas, maquiadas e distribuídas diariamente para uma plateia cada vez mais desconfiada.
Querem um papo direto?
Não estamos sendo governados por estadistas.
Estamos sendo governados por versões.
Por narrativas.
Por desculpas.
E principalmente por uma verdadeira fábrica de Pinóquios.
A diferença é que o Pinóquio original tinha apenas um nariz.
Os atuais possuem redações inteiras, assessorias completas, influencers, comentaristas e especialistas prontos para medir o tamanho do nariz e jurar que ele nem cresceu.
O problema é que chega uma hora em que até a mentira se cansa de ser repetida.
E quando isso acontece, sobra apenas a realidade.
E a realidade, essa danada, não aceita narrativa.
Erre Eme


Deixe um comentário