Que número bonito para quem aprendeu que a vida não é medida pelos anos acumulados, mas pelas tempestades atravessadas.
Quando alguém te pergunta o que mudou, a resposta perfeita:
“Sou um sobrevivente.”
Não há qualquer traço de derrota nessa frase. Pelo contrário. Ela carrega uma dignidade que apenas o tempo concede.
Sobrevivente das alegrias e das tristezas.
Dos amigos que chegaram e dos amigos que partiram.
Dos sonhos realizados e dos sonhos abandonados pelo caminho.
Das madrugadas de trabalho.
Das preocupações com os filhos.
Dos pacientes.
Dos diagnósticos difíceis.
Das decepções inevitáveis que a vida distribui sem pedir licença.
E também dos momentos de felicidade que surgem sem aviso e tornam a caminhada suportável.
Pouca gente compreende o verdadeiro significado de envelhecer.
Envelhecer não é apenas acrescentar mais um número ao calendário.
É olhar para trás e perceber quantas versões de si mesmo já morreram para que a pessoa atual pudesse existir.
O jovem Rainero ficou para trás.
O médico recém-formado ficou para trás.
O pai de crianças pequenas ficou para trás.
Muitos amigos ficaram pelo caminho.
Mas algo permaneceu.
O homem.
Com mais rugas, talvez.
Com algumas cicatrizes a mais, certamente.
Mas ainda curioso, ainda inquieto, ainda escrevendo, ainda aprendendo palavras novas, ainda planejando livros, ainda sonhando.
Isso não é velhice.
Isso é permanência.
Isso é resistência.
Isso é sobrevivência.
Erre Eme


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